sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Fantastic Entrevista - 7ª Edição

O Fantastic Entrevista está de volta! Nesta 2ª temporada muitos serão os convidados que estarão à conversa com o nosso site. Carla Vasconcelos, actriz conhecida do grande público pela sua participação em séries como Morangos com Açúcar ou Os Contemporâneos, é a convidada desta semana!
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Olá Carla Vasconcelos, bem-vinda ao Fantastic Entrevista!  

1. Para começarmos a nossa conversa, recuemos a Maio de 1971, quando a Carla nasceu. Pouco tempo depois, dava-se a revolução de Abril que viria a mudar por completo o país. Recorda-se daqueles tempos? Que memórias tem da sua infância?

Recordo-me muito bem da Revolução! Eu estava na creche e foram buscar-me mais cedo...nesse dia houve torradas para o lanche! Quanto às memórias de infância... fazíamos um livro só com esta resposta! (risos) Tenho muitas memórias.. muitas muitas muitas, foi uma época tão feliz da minha vida que decidi prolongar a infância para os resto dos meus dias.
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Carla Vasconcelos nasceu a 26 de Maio de 1971.
2. Falando agora de teatro, disse numa entrevista que a peça “Tu e Eu” interpretada por Miguel Guilherme e João Perry, em 1985, a marcou bastante. Como é que uma peça de teatro marca a vida uma jovem de apenas 14 anos de idade? Foi nesse momento que nasceu a paixão pela representação?
"Tu e Eu" foi uma experiência encantadora... era mágico, era humano, era um faz de conta do qual se queria fazer parte! A viagem do Tuninho e do GarcEu foi um acontecimento feliz numa tarde da minha vida...lembro-me de ter o programa de sala numa mesa de apoio durante anos, e de vez em quando ia espreitar.

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Imagens da peça "Tu e Eu" de 1985, com Carlos Pisco, João Perry, Jorge Gonçalves e Miguel Guilherme.
3. Sempre sonhou ser actriz? 
Não, nunca sonhei ser actriz. Aconteceu. Eu ía para Grego! A paixão pela representação foi crescendo, foi uma descoberta tardia, fui apanhada de surpresa, foi uma coisa boa

4. Apesar dessa tendência estar, cada vez mais, a ser contrariada, actualmente é notório um desinteresse da generalidade das pessoas pelo teatro. Acha que a televisão é a grande culpada por isso?
Não, a televisão tem o seu peso, mas não é tudo! O público vai ao teatro quando lhe interessa o espectáculo em cena. Não há nada que saber! O espectáculo não desperta interesse, o público não vai. Menos umbigos trariam mais público ao teatro com toda a certeza. Não gosto nada de falar de coisas sérias... é aborrecido!
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Ao lado de Ricardo Pereira, Carla foi a Helena da peça "A Gorda", em 2008.
 5. Durante algum tempo esteve em cena no teatro e ao mesmo tempo a gravar para televisão. Quais as principais diferenças entre trabalhar em teatro e televisão? É difícil conciliar as duas?
No teatro ganha-se menos, convive-se mais, a adrenalina está sempre lá em cima, não dá para cortar e repetir, é um trapézio sem rede, podemos dormir até mais tarde, jantar depois da meia noite, ir para os copos, estar com os amigos, ir em digressão... enfim, uma emoção diária!
Na televisão ganha-se mais, convive-se menos, quase não dormimos, temos que jantar cedo porque depois acordamos às seis da manhã para trabalhar 12h por dia, não dá para sair à noite porque temos que ficar a estudar textos para o dia seguinte e temos que nos levantar cedo, temos rede, não temos trapézio, podemos cortar, podemos repetir, adrenalina mais quietinha, quase não estamos com os amigos a não ser que tenhamos a sorte de ter alguns deles a trabalhar connosco na mesma produção. Dá para nos divertirmos durante 12 horas e brincarmos o dia inteiro, não vamos em digressão, temos que nos levantar cedo, levantar cedo, levantar cedo.... já referi que temos que nos levantar cedo? A TV é a caixa que mudou o mundo, e a mim, que tenho que me levantar cedo!
6. O que pensa sobre a televisão actual, em Portugal?
Paupérrima, mas não é só em Portugal... e de vez em quando somos surpreendidos com uma caixa de bombons de grande qualidade. É uma incongruência! Se sabemos fazer em bom porque é que insistimos em fazer em mau?!
 
7. Sabemos que também já fez cinema, nomeadamente em 2003 teve a oportunidade de entrar no filme “Love Actually – O Amor Acontece”. Como foi esta experiência, interpretar uma personagem lá fora, tendo também Lúcia Moniz no elenco? 
Fiquei maluca quando soube que era a Lúcia Moniz! Quem é que quer saber do Collin Firth, da Emma Tompson, do Hugh Grant e dos outros todos? A Lúcia também me disse logo, que se não fosse eu estar nesse elenco ela nunca tinha aceite! Foi a loucura...eu e ela! O facto de ser lá fora.... um agasalho tinha dado jeito.

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Em 2003 participou no filme "Love Actually - O Amor Acontece", interpretando o papel de Sophia Barros.
8. Voltando à televisão, mais recentemente entrou em diversos projectos no campo do humor, como “Santos da Casa” ou “Os Contemporâneos”, na RTP. A comédia é o seu estilo preferido? Acha que estes formatos são bem tratados pelas estações?  
A comédia é muito interessante de se fazer. É muito difícil e se não se acerta pode ser constrangedor... a comédia é absolutamente maravilhosa porque nos permite brincar com coisas sérias de uma forma inteligente. É um desafio constante. As estações de TV apostam bastante em comédia (há fases), umas vezes acertam outras não.

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Carla Vasconcelos participou na série de humor "Os Contemporâneos", na RTP1.
9. O humor sempre foi um lado muito forte nas personagens e projectos em que entrou. Prefere a comédia ou o drama? 
Gosto igualmente das duas coisas. Complementam-se.
 10. Desde 2009 que integra o elenco da série “Morangos Com Açúcar”, dando vida à Papoila. Como tem sido esta experiência, que já dura há um ano e meio? Identifica-se com a Papoila da série? Quais as grandes diferenças e parecenças entre ambas? 
A experiência Morangos foi muito enriquecedora tanto a nível profissional como pessoal. A Papoila tem alguns traços de personalidade com os quais me identifico bastante, é uma mulher independente, com uma personalidade forte, emocional, o que lhe tolda a razão de vez em quando (risos). Não sou, nem de perto nem de longe, paciente como ela.

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A personagem Papoila integra a série Morangos com Açúcar desde o início da 7ª temporada.

11. O que pensa do elenco juvenil de “Morangos com Açúcar”? Existe ali talento para o futuro da representação? 
Acima de tudo tenho que elogiar os elencos juvenis que passam por série como os Morangos. São miúdos na sua maioria sem experiência que chegam ali e têm que aprender tudo num curto espaço de tempo, e para isso têm que trabalhar muitas horas para além das 12 horas diárias de gravações. Eles têm aulas de canto, de dança, alguns deles aprenderam a tocar instrumentos musicais e ainda têm que ter tempo para decorar textos, trabalhá-los, têm que ter disponibilidade mental para absorver todas as indicações e orientações que lhes são dadas ao longo dos dias de trabalho...não é fácil. A disponibilidade que eles têm, o entusiasmo e dedicação com que aprendem e trabalham é algo que os actores nunca deveriam perder e às vezes esquecemo-nos disso!

11. Como tem sido o reconhecimento dos fãs?
Os fãs são fofinhos! (risos) São miúdos na sua grande maioria. Gosto de passar despercebida, sou um bocadinho bicho do mato.

12. Já existem projectos para o futuro, depois do término das gravações de Morangos com Açúcar? 
Vários projectos! Em primeiro vou viajar, depois estreio em Julho um espectáculo com o Bruno Simões - Um Banco no Abismo, para o público e para o umbigo! (foi o compromisso que conseguimos arranjar, uma vez que os umbigos estavam a precisar de mimo! ahahah), vão ver ao Trindade. Depois há mais coisas, mas ainda não me deixam falar sobre elas!

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Eduardo Madeira era um dos colegas de Carla em "Os Contemporâneos". A hipótese da série volta à RTP1 está em aberta.
 
13. Gostava de participar numa novela de horário nobre? 
Gostava.

14. Qual é o seu maior desejo para a vida? 
Que todos os meus desejos se realizem!

 
EM POUCAS PALAVRAS...
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Se passássemos um dia com a Carla Vasconcelos o que não poderia faltar? 
Dizer disparates

Costuma pensar no passado, prefere viver o presente ou projectar o futuro? 
Costumo tudo!

Televisão, Cinema ou Teatro? 
Teatro

Um livro que a marcou? 
Confesso que nunca ninguém me bateu com um livro

De que objecto não prescinde? 
Do Coelhinho de pano

Um grande actor?
Gary Oldman

Uma grande actriz? 
Anna Magnani

Um grande espectáculo? 
Estamos a ensaiá-lo! 

Uma cidade? 
New York

Um local da casa? 
A que tiver um sofá

A companhia ideal? 
A que eu tenho

Carla Vasconcelos? 
Sou eu!

Obrigado pela participação! 
FANTASTIC ENTREVISTA - Edição 7

Convidada: Carla Vasconcelos
Produção: João e André
Colaboração: Cláudio
Genérico: Tiago Bento
 Produção: Fantastic 2011
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Fantastic Entrevista - 6ª edição



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Um dia depois do seu aniversário, o Fantastic Entrevista publica a fantástica entrevista realizada a Marina Mota. Actualmente em cena com a peça '3 em Lua de mel' (+ info em www.marinamota.pt) a cantora, actriz e produtora fala-nos da vida, do teatro, da música e da televisão, numa entrevista exclusiva ao Fantastic.

ENTREVISTA



Olá Marina, bem vinda ao Fantastic Entrevista. Vamos começar pela pergunta que todos fazem: Nos últimos anos é falado sobre o seu regresso à televisão, sobre os sucessos que teve no passado e é presença constante em vários programas dos próprios canais. Se Marina Mota é sinónimo de sucesso, é mesmo falta de convite o facto de não estar na televisão?
É só e sem dúvida falta de convite, ou convites para participações pontuais, que normalmente aceito quando garantem qualidade.

E é uma prioridade regressar à televisão?
A televisão é com certeza o maior veículo promocional para qualquer artista, mas só será uma prioridade quando o projecto apresentado for interessante. Televisão a qualquer custo? Não.

À Marina é-lhe atribuída a frontalidade. Se pudesse dizer algo aos actuais directores de programas da televisão portuguesa (RTP, SIC e TVI), o que diria?
Equilibrem as grelhas de programação, sejam mais versáteis, dêem prioridade á qualidade e bom gosto, sondem as opiniões dos espectadores, criem programas de humor, de música portuguesa, com regularidade. E se me sentirem útil chamem-me.

A Marina é actriz ou humorista?
Sou, ou tentarei ser sempre, actriz.

Nos anos 90, programas como ‘Marina, Marina’, ‘Ora Bolas, Marina’ ou  ‘Um Sarilho chamado Marina’ eram verdadeiros sucessos de audiência. A que acha que se deveu tal sucesso?
O sucesso talvez se deva ao rigor, profissionalismo, talento, respeito pela entidade maior, O PÚBLICO, entrega total e sem reservas de uma grande equipa, da qual eu também fazia parte. 




Acha que os dourados anos 90 onde os formatos de televisão eram pensados com cuidado e produzidos com tanto empenho e irreverência podem voltar?
Sinceramente, espero que sim.

Mais tarde, já depois de 2000, passa para a TVI com a série humorística 'Bora Lá Marina'. A série alcançou excelentes resultados de audiência, numa altura em que a TVI apostava forte na ficção nacional. Mas depois de uma temporada em horário nobre o programa acabou por passar para o final da noite e alguns episódios só foram emitidos à tarde. Como explica que um programa que resultava tenha sido 'condenado' ao ser enviado para tais horários?
Essa é uma das muitas questões para a qual não encontro resposta ou justificação.

Apesar do rumo que o 'Bora Lá Marina' teve, depois do final da série o sucesso fora dos ecrãs continuou e personagens como o Bisnaga ou Matilde ficaram na memória dos portugueses e ainda hoje são faladas por todos...  
Não imaginam  o prazer que me dá ainda hoje “ vestir” essas personagens.

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Por falar em personagens míticas, a Marina tem muitas na televisão portuguesa. Existe alguma em particular que goste de fazer?
As 2 que falámos anteriormente são algumas das eleitas….e a minha Bitucha….claro.

Em 2007 entra para o elenco da novela ‘Fascínios’, publicamente já informou que gostou de fazer a novela porém não era o seu género preferido. E se fosse, por exemplo, uma personagem completamente diferente, como uma grande vilã, numa novela sem os 200 e muitos episódios das novelas actuais. Acha que a sua opinião mudaria?
Embora não seja dos trabalhos que prefiro, não deixa de ser um desafio fazê-lo, é apenas um género onde o tempo é curto para trabalhar o nosso desempenho. Em relação á personalidade da personagem, não é importante que seja a “má” ou “boa” mas sim que tenha um conteúdo forte, coerente e seguro.

Nos últimos anos tem sido protagonista de Revistas de grande sucesso e tem andado pelo país enchendo salas de espectáculos. Se tudo isto é verdade, então porque se diz que a ‘Revista’ está morta?
Sei lá porque é que se diz tal coisa….talvez porque seja vulgar dizer disparates em Portugal.

A reconstrução do Parque Mayer é algo que vale a pena continuar a lutar ou já perdeu a esperança que alguém se volte a preocupar?
Valerá sempre a pena lutar por manter um espaço cultural….e Esperança? A última  coisa a morrer…tal como a REVISTA.

Viver unicamente do teatro ainda é possível? 
Para alguns privilegiados.

Revolta-se com o facto de actores que trabalharam consigo como Natalina José, Carlos Cunha, Ana Brito e Cunha, entre outros, não ser protagonistas de grandes novelas e com contractos de exclusividade e, infelizmente, por vezes depararem-se mesmo com o desemprego?
Claro que sim, nada disto faz sentido. A revolta apenas tem a ver com a minha impotência para resolver tamanha injustiça.




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Cantora, actriz e produtora, a Marina é tudo isto. Como consegue ser tudo isto e brindar-nos todos os dias com a sua boa disposição?
Porque o público me merece tudo isso e muito mais.

Já teve momentos de fraqueza?
Muitas vezes, mas todos os dias vejo este vídeo que é uma lição de Vida (CLIQUE AQUI para ver o vídeo enviado por Marina Mota) e fico com vergonha das minhas “ queixas”. Partilhem comigo esta maravilha de SER HUMANO.

Começou a sua carreira aos 8 anos e passados quase 40 anos continua a ter uma das vozes mais potentes e a ser uma das grandes referências do humor em Portugal e, não menos importante, uma das mulheres mais bonitas do país. Onde encontrou o elixir da eternidade?
 OH MEU DEUS…. Agora babei-me…. (risos)… Na VIDA. Ela  é linda, O SOL, O MAR ,O CÉU, A CHUVA, A TERRA, enfim a NATUREZA. O humor, O AMOR e… sim O AMOR. Os amigos, a família…. Perdoem a “ lamechice” mas é isto mesmo.


EM POUCAS PALAVRAS...

A música da minha vida é…
Não existe “aquela” existem várias

A minha melhor entrevista foi…
Esta, claro…já não me lembro da última…( risos )

Um grande actor….
É injusto eleger só um.

Uma grande actriz…
A mesma resposta.

Um grande espectáculo…
“3 EM LUA DE MEL”….(risos)

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Um/a grande humorista…
Herman José

O meu programa de televisão preferido é…
Aquele que ainda não foi feito.

Alguém que não se importava que fosse deportado para bem longe… 
É longa a lista…todos os que brincam com o POVO…que não respeitam as suas carências…que lêem jornais na assembleia da República ,  durante debates importantes para o país,  e a quem eu e os restantes portugueses pagamos o ordenado. E ainda dizem que devo dinheiro ao Estado!


Uma personalidade…
JESUS CRISTO


O Teatro é…
A imagem da VIDA


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domingo, 26 de setembro de 2010
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FANTASTIC ENTREVISTA 
 JOÃO PEDRO DO CARMO

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sexta-feira, 17 de setembro de 2010
4ª Edição - VÂNIA FERNANDES


FANTASTIC ENTREVISTA VÂNIA FERNANDES
ESPECIAL EM VÍDEO + ENTREVISTA EM TEXTO

ENTREVISTA


Antes de mais muito obrigado pelo dia 22 de Maio de 2008. Começando mesmo por aqui. Quando no envelope se leu ‘Portugal’, a arena na Sérvia ficou apoteótica, a Isabel Angelino ficou emocionada e todo um país vibrou com a tua passagem à final. E tu, o que sentiste?
Senti uma alegria imensa, orgulhosa de representar Portugal e muito honrada por nos terem confiado a grande responsabilidade de estarmos na final. 
Representaste Portugal e conseguiste a proeza de tornar a ‘Senhora do Mar’ perante o país e o Mundo a melhor prestação portuguesa na Eurovisão. Como encaraste este facto?
Eu não encarei de todo este facto, acho que é maravilhoso que tenham gostado da minha prestação mas acima de tudo respeito todos os outros representantes e sei que não fui melhor que nenhum deles, simplesmente tive sorte com a equipa que me acompanhou, com os cantores que cantaram comigo e tive muita sorte com a qualidade da música e do poema em causa, sem falar no produtor Carlos Coelho que fez uma grande promoção da música e levou-a mais longe.
 
Esperavas todo o sucesso à volta da tua prestação? Sentiste que Portugal estava contigo?
Não esperava tanto sucesso, nem estava preocupada com os resultados, estava mesmo focada em dar o meu melhor e fazer tudo ao meu alcance para que Portugal não ficasse decepcionado com a minha prestação. Senti Portugal connosco, senti essa responsabilidade e essa honra.

O 13º lugar e os 69 pontos foram decepcionantes?
De modo algum, como disse o mais importante foi o caminho e ao olhar para trás, sei que eu e os meus colegas, companheiros dessa grande viagem, demos tudo o que tínhamos e o que não tínhamos para fazer justiça à canção e ao nosso povo, por isso estou de consciência tranquila que foi o nosso melhor, e é tão bom sentir o reconhecimento por todo o esforço, não na pontuação mas nos vários públicos para os quais tenho actuado, na verdade, nunca saio de um palco sem cantar a "Senhora do Mar", não só pela minha vontade mas também por vontade do público.

Voltarias à Eurovisão?
Sinceramente acho que é uma experiência tão maravilhosa, uma produção tão grandiosa, que acho que toda a gente merecia lá ir, é uma grande lição de humildade e ao mesmo tempo sentimo-nos as maiores estrelas à face do planeta. Temos tantos bons artistas, compositores e autores, tanta gente boa a mostrar lá fora, que se há repetições é pouco enriquecedor para quem vê e muito egoísta para quem vai. Há uns anos repetiam-se os artistas porque não havia tanta gente como há hoje e porque o festival nacional tinha uma notoriedade e uma importância extrema por ser o grande espectáculo do ano. Acho que essa notoriedade devia se manter, mas felizmente existem cada vez mais espectáculos e oportunidades para os novos talentos atingirem os seus sonhos e serem reconhecidos pelo público.
 
Em relação à Operação Triunfo. Quando te inscreveste na OT estavas à espera de te tornar com o concurso uma das vozes mais respeitadas de Portugal?
Não, eu concorri só por descargo de consciência, porque eu apostava que não entrava. Fui para depois não pensar " e se tivesse ido...", mas nunca pensei que entrava, tentei levar os castings na desportiva, mantendo todas as minhas actividades paralelas e até tinha concorrido à faculdade nesse Verão, fui fazer as provas da mesma maneira que fui aos castings, porque achei mesmo que mais casting menos casting ia ficar pelo caminho.

Como viveste os meses que estiveste na escola da OT?
Semana a semana, foi assim que fui vivendo. Eu só desmanchei as malas na segunda ou na terceira semana e foi porque já não encontrava nada para vestir na desorganização. Nunca pensei que ficasse até ao fim, nunca levei semana nenhuma como garantida, estava preparada todas as semanas para ser nomeada e todas as semanas para sair. Não é negativismo, é um concurso e podem crer que houve gente tão boa que ficou-se pelos castings e colegas que chegaram a entrar no programa mas que nem tiveram a oportunidade de mostrar tudo o que valiam logo a minha postura tinha de ser esta, aproveitar e aprender ao máximo mas saber que mais tarde ou mais cedo tudo iria acabar.

Este tipo de programas, forma um cantor/músico ou apenas vende o produto durante o período em que o programa está no ar?
Acima de tudo este é um formato que apresenta o imenso talento que se esconde por aí, mas se temos ou não mercado para todos é outra questão. Como disse anteriormente, sempre tive noção que tudo era efémero nesta fase, porque sabia que mais tarde ou mais cedo tudo iria acabar, a fama é ilusória e o melhor foi que sempre tive quem me lembrasse disso e eu própria tinha essa consciência, então nunca me deixei levar nem nunca levei esta fama como garantida, sabia que ia acalmar. E tal aconteceu, felizmente ainda sou reconhecida e acarinhada pelas pessoas mas o que me deu rumo foi ter essa consciência. 

Aproveitei tudo posso honestamente dizer, e segui os meus objectivos, segui a minha vida, não podemos ficar presos em momento algum da nossa vida, tanto dos bons como dos maus, faz-nos mal. tudo tem o seu tempo, o seu caminho e por mais maravilhoso que tudo fosse sabia que ia acabar, e não tinha de ser triste, é o percurso natural das coisas,como o sol nasce e parte e a noite vem. Sabia que queria continuar a aperfeiçoar e que queria aprender mais, por isso continuei os meus estudos, e vou continuar a cantar se Deus quizer. 

A 4ª edição da OT está a chegar. Que conselho dás a quem vai concorrer este ano?
Força!!!! Divirtam-se muito, aproveitem o caminho, aprendem tudo o que houver para aprender não só musicalmente, claro. A melhor parte não é musicalmente, se fosse isso que queriam já podiam ter ido para uma das escolas de música do País, a melhor parte também não é a fama. A melhor parte é conhecerem tanta gente que tem os mesmos sonhos que vós e poderem partilhar isso com eles, não deixem a competição tomar conta de vós, limitem-se a aproveitar tudo o que há de melhor nos colegas, na produção, na oportunidade de trabalhar junto das câmaras, na oportunidade de aprender a cantar e a dançar ao mesmo tempo, na oportunidade de viver na pele de uma estrela e serem apaparicados como uma estrela.Sempre com humildade e consciência de que hoje podem ser os melhores e amanhã os piores, as coisas são mesmo assim e cada música que vos dão é um mundo por isso aproveitem e divirtam-se!!!!

Acabaste de lançar “Coração do Alto Mar”, o teu primeiro disco de originais, é aquele disco com que sempre sonhaste?
Sim, sem dúvida que sim. Demorei um pouco a condensar toda a música que pretendia, todas as sonoridades que sonhava ter neste disco, demorei a encontrar as pessoas certas com quem trabalhar, mas depois de encontrar tive muita sorte, pois estas levaram me à musica que sempre sonhei fazer. Esta procura de identidade na música é um caminho, e sinto que estou a caminhar na direcção certa.

Na tua música é notória uma influência do mar. És uma mulher ligada às tuas origens?
Sem dúvida. Gosto de me considerar uma cidadã do Mundo, mas tenho as minhas origens, tradições e cultura. Sou Portuguesa e acima de tudo Madeirense, tenho muito orgulho na minha terra, é lindaaaaaaaaaa!!!!!!!!

Quem fala em Vânia Fernandes é inevitável não falar na Madeira, como viste a tragédia que assolou a tua ilha este ano?
Fiquei devastada com aquelas imagens daqueles sítios que tão bem conheço e vê-los destruídos,sem dúvida que foi muito triste. Mas é incrível a força dos meus conterrâneos, mais uma lição a aprender com eles. Dia 20 de Fevereiro assisti às desgraças via internet e televisão e por telefone com familiares e amigos, uma semana depois fui ao Funchal e já não identificava as imagens dramáticas que tinha retido na minha mente, é claro que em alguns sítios demorou mais tempo a normalizar as coisas mas no geral os Madeirenses recuperaram muito rapidamente com a ajuda de todos. O que não recuperámos foi as vidas que se perderam infelizmente.

Quais serão os teus próximos projectos?
Para já fazer um grande concerto de lançamento do disco na minha terra! Infelizmente ainda não tenho data concreta para a sua realização mas espero ter para breve.
Espero também encontrar o agente certo para este projecto para que possa começar a fazer uma boa agenda de promoção do disco, vamos a ver.
Entretanto vou continuar a estudar, e mantenho os meus projectos musicais paralelos, os projectos com o maestro Jorge Salgueiro - concertos teatralizados; o meu quarteto de jazz com o pianista Júlio Resende; e alguns concertos pop que mantenho no Funchal e em Portugal Continental, estes últimos com os meus ex-colegas da OT e grandes amigos Nuno Pinto e Luis Sousa.
   
Uma última pergunta, incomoda-te seres a eterna ‘Senhora do Mar’?
É uma honra, mas não sou a " Senhora do Mar", sou simplesmente a rapariga que reza à Senhora do Mar.

EM POUCAS PALAVRAS...

    A melhor prestação portuguesa na Eurovisão é…
dificil de escolher, nomeio duas Maria Guinot e Simone de Oliveira com a "Desfolhada"

    A música de eleição no ESC2008 é…
SENHORA DO MARRRRRR

    A minha referência musical...
são várias... algumas são: Janis Joplin, Nina Simone, Ella Fitzgerald, Dulce Pontes, Maria João, Bjork e não pode faltar a grande Amália!

    O momento (profissional) da minha vida é…
todos os dias que subo a um palco!

    A música da minha vida é…
"Beatriz"

    Um dueto perfeito seria com…
Dulce Pontes.

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