Nesta última edição da 4ª temporada do "Fantastic
Entrevista", estamos à conversa com Duarte Gomes, que está atualmente a gravar a novela "Os Nossos Dias" da RTP1. O ator que se tornou conhecido por apresentar a série "As Pistas da Blue" poderá ser visto ainda no filme "Bairro" a partir de 27 de junho. Ao Fantastic, Duarte revela um pouco mais da sua carreira. Venha conhecê-lo!
ENTREVISTA
1-A nova novela da RTP1 já está a ser rodada. O que nos pode dizer sobre o enredo desta nova história e o
que pensa sobre a mesma?
O enredo vive à volta de
pessoas actuais com problemas actuais. Crise, desemprego, emigração,
dificuldades de acesso à saúde, chegada à reforma, empreendedorismo, corrupção,
são uns dos muitos temas abordados. A forma como estes temas estão a ser
abordados esta a ser na minha opinião muito bem conseguida e esta aposta da RTP
tem tudo para ser bem aceite pelo público.
2- O que o levou a aceitar o
convite para integrar este elenco da novela ''Os Nossos Dias''?
A ficção aliada à
actualidade é um desafio bastante interessante. O conteúdo dos projectos é
o mais importante.
3-A RTP1 tem poucas novelas
em exibição actualmente. Acha que a ficção na RTP devia ser uma maior aposta?
Quanto mais apostas na
ficção nacional houver melhor, todos ficaremos a ganhar. Mas também não me parece
justo dizer que a RTP não o tem feito. A RTP tem feito projectos muito
interessantes na área da ficção como o “Conta-me como foi”, “Depois do Adeus”,
“Sinais de Vida”, etc. Este é mais um projecto que penso que irá ter carimbo de
sucesso.
4- Como é
que percebeu que queria ser actor?
Existem vários momentos que
trazem consigo essa sensação que estamos na “profissão certa”, quando estamos
num projecto que nos preenche a 100% e que consequentemente recebe críticas positivas
por exemplo.
5 - E quando é que teve essa ideia pela primeira vez?
A primeira vez que tive
essa sensação foi aos 15 anos quando estava a fazer as provas de acesso para a
Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo em que percebi que se não
fosse um dos 20 seleccionados que não saberia o que fazer, o que escolher, qual
seria passo seguinte. Fiz como se diz no poker um “all in” naquelas provas,
apostei tudo e correu bem. Obviamente não se tratava de um “caso de vida ou de
morte”, mas não sei se teria seguido esta profissão se aquele passo tão cedo na
minha vida não tivesse corrido bem.
6 - Desde sempre foi o seu
sonho?
Posso dizer que desde muito
novo tornou-se o meu principal objectivo, visto que como disse anteriormente
comecei a estudar representação aos 15 anos, mas a minha primeira escolha era
tornar-me piloto de aviação comercial, objectivo que ficou completamente
apagado assim que pisei o palco.
7 - O teatro tem sido uma
aposta atualmente. Há muitas diferenças entre teatro e televisão? Qual dos
estilos prefere?
A principal diferença está
no processo de trabalho que é totalmente diferente. Outra das grandes
diferenças está nas técnicas utilizadas por parte do actor que também são
diferentes, a técnica de representação para camara é um pouco diferente da
utilizada para teatro. E depois existe obviamente
a “pressão” de enfrentar todos aqueles olhos postos na nossa direcção “in loco”
no caso do teatro. Mas no fim o que procuramos para os dois é o mesmo, que as
expressões de quem nos vê se tornem em sorrisos ou lágrimas. Não tenho preferência, o
que desejo é poder conciliar tudo o que gosto de fazer, teatro, cinema,
televisão, dobragens, locuções, só assim me sentirei completo.
EM POUCAS PALAVRAS
Uma característica...
Honestidade.
Uma pessoa... Família e
amigos, felizmente vivo rodeado de várias pessoas essenciais para mim, não
tenho como destacar uma.
Uma novela... “Os Nossos
Dias” claro!
Um filme... Ui, tantos…
Um
sonho... Atingir os meus objectivos nunca abdicando da felicidade
Na edição de hoje, estamos à conversa com João Fernando Ramos, jornalista da RTP que atualmente apresenta o espaço "24 Horas", no segundo canal. Natural da Lousã e apaixonado pelo Porto, já percorreu o mundo em
reportagem e sonha atravessar o deserto ao volante de um todo-o-terreno.
ENTREVISTA
1-Era impossível não lhe questionar isto. O que acha sobre a privatização da RTP?
A RTP é uma instituição fundamental para os equilíbrios e a
qualidade da democracia em Portugal. Acho que deve permanecer na esfera
pública, mantendo a diversidade geográfica e afirmando ainda mais o seu
papel regulador na educação, formação e informação dos portugueses.
2-Pensa que a privatização pode melhorar o trabalho da estação?
De
todo. Acredito na capacidade de uma boa gestão, que deve ser pública. A
RTP é de todos os portugueses. Não é por ser privado que se gere
melhor.
3-Estreou-se brevemente na RTP2 com um novo espaço informativo. Como vê esse espaço informativo? Pensa que irá trazer sucesso?
É
um espaço que quer olhar para o dia que termina, mas essencialmente
lançar aquele que está a começar. Procuramos ter um alinhamento
verdadeiramente alternativo, com as notícias que mais interessam a quem
nos segue na RTP2. Têm passado por aqui alguns dos protagonistas da
atualidade e estamos a apostar num painel muito diversificado e plural
de comentadores. Não queremos sempre as mesmas caras, com as mesmas
opiniões. Estas duas semanas já mostraram que este caminho é possível e
que pode ter sucesso. É ainda muito cedo, mas estamos muito satisfeitos
com a reação a este novo conceito.
4-Fale-nos um pouco do seu percurso profissional.
Sou
jornalista por opção e com muita paixão. Adoro fazer reportagem e nunca
me conformo com o mais óbvio e simples. Já apresentei praticamente
todos os espaços de informação da RTP, nos diversos caiais. Este 24
Horas é o regresso á RTP 2 onde apresentei o Jornal 2 há uns anitos.
5-Para além do jornalismo é um apaixonado pelo
automobilismo. Como tem sido a sua experiência enquanto piloto de rali?
Como consegue conciliar estas duas paixões?
Não é fácil.
Estou a fazer apenas duas ou três provas por ano. O tempo não dá mesmo
para tudo. Nos ralis a pressão é muito menor. É apenas o meu gozo
pessoal. No Jornalismo temos que fazer todos os dias melhor e diferente.
6-Recorda-se da primeira vez que apresentou um telejornal?
Foram as notícias da manhã, num trabalho pioneiro da RTP Porto.
7-Que conselhos pode dar aos jovens que sonham seguir a área de jornalismo?
Nunca desistir. Com trabalho, dedicação, talento e conhecimento, conseguimos sempre lá chegar.
8-Sente-se realizado?
Sim.
Tenho o privilégio de fazer aquilo de que gosto e estou a desenvolver
um novo conceito num novo produto de informação. Gosto de safios e este é
apenas mais um, que agarrei com a minha tradicional energia.
EM POUCAS PALAVRAS
Um filme... O Piano
Uma pessoa... O meu Pai
Um sonho... Praia com palmeiras até à água…quentinha
Esta
semana estamos à conversa com o ator Ivo Lucas, que se tornou conhecido do público em "Morangos com Açúcar - Série 6". A sua evolução como ator, os bastidores das produções televisivas, o seu talento para a música ou o estado da televisão nacional neste momento foram alguns dos temas em conversa.
ENTREVISTA
1. Em 2008 deu vida ao Gonçalo de "Morangos com Açúcar 6". Apesar de nessa altura ter feito algumas participações como actor em outras produções, nomeadamente no telefilme 'Roleta Rusa' de "Casos da Vida" foi na série juvenil que se tornou conhecido do grande público. Como é que tudo começou?
Bom, foi tudo fruto de um desafio pessoal. Talvez para satisfação de curiosidade de ''como seria um casting''. Claro que sempre tive o gosto da representação, tendo feito várias peças de teatro (no âmbito escolar), mas nunca tinha apostado nessa carreira. Foi então que ainda no workshop de formação (que daria mais tarde acesso aos 'Morangos Com Açúcar') recebi o convite para o telefilme 'Roleta Russa', e depois 'Morangos Com Açúcar'.
2. Depois dos 'Morangos' esteve algum tempo parado (pelo menos em televisão) e seguiram participações nas tramas "Espírito Indomável" e "Remédio Santo". Sente que existe uma grande diferença entre representar nos "Morangos" e nas novelas de horário nobre?
Sim, existe uma tremenda diferença. Eu sou apologista da ideia em que um actor está em 'processo de aprendizagem' até ao fim da sua carreira, e nos 'Morangos Com Açúcar' foi o primeiro grande teste, em coloquei em prática tudo o que aprendi até essa data, e durante esse ano fui aprendendo muito mais com a ajuda de toda a equipa técnica. Os que estão atrás das câmaras (desde o departamento de áudio, realização, câmaras, iluminação) são os grandes professores, que me ajudaram a crescer e a aprender mais todos os dias. No momento em que gravamos algo de horário nobre (desde os telefilmes às novelas), continuamos a ter o apoio de qualquer membro da equipa, mas o grau de exigência sobe. Eu costumo dizer que os 'Morangos' foram a melhor escola que alguém pode ter, e a partir daí é para mostrar o que valemos num nível totalmente diferente.
3. E como viu o fim da série em setembro de 2012?
Sobre o fim da série, tive pena pois foi algo que os jovens sempre se identificaram, e os 'Morangos' tiveram um papel muito importante na vida de qualquer adolescente. Mas são quase 10 anos, e mais produções podem aparecer no mesmo formato. E creio que se fez justiça com o filme claro!
4. Participou ainda em outros dois telefilmes, um para a TVI e outra para a SIC. No primeiro, interpretou o papel de Chico em "O Dia em que a Minha Vida se Tornou um Reality Show". Contudo, o projeto nunca foi para o ar. Porque acha que a TVI optou por não emitir mais telefilmes desta série?
Pouco sei sobre esse assunto. Talvez entrem para a programação de 2013. Não tenho qualquer informação sobre isso!
5. Já a produção da RTP1, "Jogos Cruéis", fez parte de uma série de filmes da rubrica "Grandes Histórias". Como David foi o irmão mais velho de um rapaz que sofria de cyberbulling, um tema cada vez mais presente na realidade dos jovens em Portugal. Qual a importância que estas produções têm na consciencialização dos espetadores, sobretudo os mais novos?
Lá está, creio que a televisão é uma grande fonte de informação/educação, em inúmeros formatos. Neste caso, tal como os 'Morangos', este tipo de produções 'ajuda' na solução ou pelo menos fazem com que ajudem os jovens a lidar com o problema.
6. Depois de uma curta participação em "Doce Tentação" e de reviver Gonçalo em "Morangos com Açúcar - O Filme", nunca mais o vimos em televisão. Falta de convites ou opção? O que tem feito durante este tempo?
Falta de convites, nunca seria opção! Durante esse tempo dediquei-me um pouco mais à minha música (um sonho que já vem de alguns anos), e fiz uma curta metragem com Luís Alberto e Luís Lucas, para a UBI, que foi apresentada nas melhores curtas-metragens do 'Lisbon & Estoril Film Festival'.
7. Para além de actor é ainda cantor e músico. Trata-se de uma paixão ou de uma realidade na sua vida? Porquê?
Uma paixão, uma enorme paixão. Já vem de família (o meu avô é Victor Gomes, o rei do Rock nos anos 60 com "Victor Gomes e os Gatos Negros"). Estive no conservatório de piano com 8 anos e nasci com ouvido absoluto passivo, portanto sempre tive essa veia musical bastante presente. Hoje em dia toco 7 instrumentos de forma auto-ditacta e passo grande parte do tempo a compôr!
8. Que tipo de projectos gostaria de fazer num futuro próximo? E quais aqueles que já estão confirmados?
O que gostava de fazer? Regressar à televisão, e se tudo correr como previsto este ano será um grande ano para mim. Também pretendo lançar o meu álbum no primeiro semestre do ano. Estou a gravá-lo com a 'ajuda' e parceria de António Corte-Real, Nando Rodrigues, e Ivan Cristiano (UHF), tudo com influências Blues, e tenho uma das músicas na banda sonora de uma novela da TVI (Destinos Cruzados), o que é um grande começo!
9. Como vê a televisão nacional, neste momento? O que mudaria?
O que mudaria? Mais produções, existe muito jovem no meu ramo completamente parados!
10. Uma das consequências de ser uma figura pública é o facto de algumas revistas interferirem directamente na sua vida privada. Como é que lida com estas situações? E com a fama, no geral?
Nunca tive grandes problemas com isso (felizmente). O que a imprensa falou de mim sempre falou bem e elogiou o meu trabalho. O único assunto pessoal que tocaram à uns anos foi mesmo duma "suposta" relação com Anita Costa, mas nunca me pronunciei sobre esses assuntos nem outros quaisquer por serem de teor pessoal. Com a fama lido bem. As pessoas reconhecem-me diariamente na rua, e elogiam o meu trabalho em várias produções, por isso sinto que tenho feito um bom trabalho e que as marquei.
11. Como é um dia com o Ivo Lucas?
Um dia com Ivo... Um dia óptimo, sou bastante bem humorado, com um sentido de humor fora do comum, podem comprovar com colegas meus (risos). Gosto muito de levar uma vida tranquila e sentir-me realizado ao final do dia. Gosto da sensação de satisfação de um dia produtivo.
EM POUCAS PALAVRAS...
Um programa de televisão? Top Chef (cozinhar é uma das minhas paixões) Um filme? ''Condenados de Shawshank'' Um livro? ''O cão dos Baskerville'' Um defeito? Perfeccionista Uma música? John Mayer - Born and Repries (reprise) / Who Says Uma ambição? Ser mais reconhecido pelo meu talento e trabalho A melhor coisa da vida? A própria vida O Ivo Lucas é... Lutador
Nesta edição do Fantastic Entrevista a nossa convidada é Maria Vieira. Estivemos à conversa com a atriz portuguesa que fez
sucesso em vários programas de Herman José. Dentro de dias a atriz irá
partir para Paris, onde irá participar num filme de Ruben Alves.
ENTREVISTA
1. Estreou-se como atriz no Teatro
Adóque, com a peça Paga as Favas em 1981. Assoa o Nariz e Porta-te
Bem foi um dos primeiros projetos no cinema. Ao lado de Raquel Maria, foi
uma das protagonistas deste filme, no mesmo ano. Antes desta produção, que
outras experiências, como atriz, já tinha tido?
"Assoa o Nariz e Porta-te Bem" foi um filme realizado pela
Monique Rutler e foi a minha estreia no cinema. Em televisão estreei-me
com o Júlio Isidro num programa chamado "Festa é
Festa" e depois continuei trabalhando vários anos com ele em programas
como "A Festa Continua" e "Arroz Doce".
2. Apresentou Encontros Imediatos
na SIC, um dos primeiros programas da estação, em 1992. Como foi esta
experiência? Prefere o papel de atriz ou de apresentadora?
Foi uma experiência salutar e de muito sucesso, uma vez que o programa
esteve no ar durante quase três anos e foi líder da estação durante a maior
parte desse tempo. O programa era muito simples, um
bocadinho "kitsch" até, mas ainda assim eu gostei de o
apresentar. Eu tinha acabado de fazer uma sitcom na SIC ("Giras &
Pirosas") e alguém achou que eu tinha potencial para
apresentar aquilo; felizmente resultou bem em termos audiométricos mas a
minha "praia" é mesmo a representação. Eu sou actriz. Ponto final.
3. Mais tarde, juntou-se à equipa de
Herman José e participou em programa como Hermanias, Humor de Perdição,
Casino Royal, Crime na Pensão Estrelinha, Herman 98 ou Herman SIC.
Acha que a participação nestes sucessos televisivos foi importante na sua
carreira? O que recorda destes tempos?
Trabalhar com o Herman foi determinante na minha carreira. Foi dessa forma
que eu tive o privilégio de participar em alguns dos melhores programas de
humor que se fizeram no nosso país. Desses tempos recordo a amizade,
a alegria no trabalho e o sucesso granjeado.
4. Os últimos dois projetos na SIC
foram Hora H (também o último programa de Herman José na estação) e
Sete Vidas. O primeiro acabou ao final da noite de domingo e a série foi
para o ar apenas nas madrugadas. O facto da estação ter maltratado estes
projetos foi um dos motivos pelo qual não voltou a colaborar com o canal?
Eu não sei se a SIC maltratou esses projectos, isso são palavras suas. Eu
saí do "Hora H" porque não estava satisfeita com o personagem
que me foi atribuído e por isso só fiz 9 programas. Em relação ao "Sete
Vidas", confesso que nem sequer me lembro quando e a que
horas foi transmitido. De resto, voltarei a colaborar com a SIC,
desde que o projecto seja interessante e que eu tenha disponibilidade para o
fazer e isso aplica-se a qualquer estação de televisão, seja em
Portugal ou no estrangeiro.
5. Seguiu-se a 'aventura' no Brasil, e desde então já participou em duas
telenovelas da Globo. Como surgiu o convite para ingressar nas novelas de
Miguel Falabella?
Um dia o Miguel veio a Portugal, foi convidado do "Herman SIC",
onde teve uma brilhante participação no saudoso "CREDO",
conheceu-me, apaixonou-se pelo meu trabalho e levou-me com ele para o
Brasil. Tão simples como isto. Hoje somos grandes amigos da vida e dos palcos,
algo que acontece frequentemente entre pessoas que vêm o mundo pela mesma
janela.
6. Teve ainda a oportunidade de desfilar
no Sambódromo no Brasil. Qual é a sensação?
Participar no maior espectáculo do mundo, desfilando
no asfalto da Sapucaí, perante milhares de pessoas que gritam o nosso
nome (ou o nome do personagem que estamos a fazer numa novela da Globo) é algo
que mexe com o nosso ego de uma forma muito peculiar. Ainda para mais,
sabendo que o Carnaval carioca é transmitido no mundo inteiro e saber que
eu estive lá, a acenar para a humanidade... eu diria que foi uma experiência
inolvidável.
7. Negócio da China foi a
primeira novela que fez no Brasil. No entanto, não resultou tão bem como as
outras em termos de audiências e em Portugal foi da hora de almoço para as
madrugadas. O que tem a dizer desta situação?
Não me compete fazer comentários sobre decisões tomadas pelas
direcções de programas das estações de televisão. Posso apenas dizer que adorei
fazer parte do brilhante elenco de "Negócio da China", onde
participaram alguns dos melhores actores brasileiros, que a novela
era muito bem escrita e muito divertida e que fiquei muito feliz por ver o
meu trabalho reconhecido pelo povo brasileiro, pelos meus pares artísticos e
pela exigente crítica canarinha que destacou, distinguiu e
premiou a minha actuação na novela.
8. Aquele Beijo foi a produção
que se seguiu. A exibição terminou há poucos dias. Como correu este projeto? O
grupo de atores portugueses é muito acarinhado?
"Aquele Beijo" foi mais um grande sucesso do Miguel Falabella. A
novela teve uma grande aceitação por parte do público e foi muito elogiada
pela crítica. Os actores portugueses são muito acarinhados no Brasil. Os
brasileiros adoram o sotaque português, ainda que misturado com o sotaque
brasileiro como aconteceu nesta novela e não se poupam a elogios quando se
cruzam connosco na rua. A nível pessoal esta novela trouxe-me muitas
alegrias e muito orgulho pois voltei a ser distinguida pelo jornal "O
Globo" com a prestigiada "Nota 10" da Patricia Kogut, que é
atribuida aos melhores actores da televisão brasileira e não há nada mais
gratificante para um actor do que ver o seu esforço recompensado com
palavras elogiosas por parte de quem percebe do seu ofício.
9. Entre as duas novelas fez ainda
uma ‘perninha’ num especial de fim-de-ano na RTP, onde se junto a amigos de
sempre: Marina Mota, Herman José, Ana Bola, Maria Rueff, Joaquim Monchique,
entre outros. Tem saudades de fazer humor regular na TV portuguesa e de
trabalhar com estes profissionais?
Tenho sempre saudades dos meus amigos, sobretudo agora que passo tanto
tempo fora de Portugal. É claro que gostava de me voltar a cruzar com todos
eles e como nós somos todos ainda muito jovens é muito provável que tal
venha a acontecer nos próximos anos...
10. Viajar é dos seus maiores prazeres.
Porquê? É o procurar novas culturas, gastronomia, vivências, artes?
Eu sou uma cidadã do mundo. Viajar é a actividade mais enriquecedora que
conheço. Viajo pelo prazer de percorrer longas distâncias, lá onde
tudo é diferente do que sei, viajo para saborear novos pratos e novas gentes,
viajo para mergulhar em oceanos de silêncio cristalino, viajo para esgravatar a
cultura dos outros e também viajo para repousar a alma no travesseiro do
lazer...
11. Em Maio irá partir para França, pois irão iniciar-se as gravações de um
novo filme, do qual fará parte. Será o filme La Cage Dorée, de Ruben
Alves? O que nos pode adiantar deste novo projeto?
O filme do Ruben anda à volta de uma
história muito divertida e que ainda por cima tem a particularidade de
ser muito bem escrita. Estou muito entusiasmada com o projecto e muito
feliz por ir contracenar pela primeira vez com o Joaquim de Almeida. É
o primeiro filme que eu faço em França e a Rosa - nome do meu personagem -
é absolutamente hilariante. E mais não posso acrescentar porque a produção
não deixa.
12. O seu futuro profissional passa
pelo Brasil ou pelo regresso a Portugal?
No dia 3 de Maio viajo para Paris, onde irei rodar "La Cage
Dorée" durante cerca de dois meses e meio e depois, em Agosto, regresso ao
Brasil e à Globo para fazer um seriado que se vai chamar "Pé na
Cova".
13. Como vê a TV portuguesa
atualmente?
Para falar a verdade não tenho visto nada, pois desde que cheguei a
Portugal ainda não tive tempo para parar e sentar-me em frente ao televisor.
14. Será para sempre conhecida, de
uma forma carinhosa, como ‘a parrachita’. Como surgiu esta alcunha?
Eu tenho alguma dificuldade em decorar os nomes das
pessoas (provavelmente a minha memória esgota-se nos textos que passo a
vida a decorar) e por isso comecei a chamar Parrachita a toda a gente
só para não passar a vergonha de não saber o nome das pessoas! A dada
altura, por tanto me refugiar nessa muleta, eu própria passei a ser alcunhada
de Parrachita pelos meus colegas e amigos. Eis a razão do meu nickname!
RESPOSTA RÁPIDA
Um realizador:
Clint Eastwood
Um filme:
"Laranja Mecânica" e "O Carteiro de Pablo Neruda"
Um papel desejado:
O próximo
O ídolo de sempre:
Não tenho ídolos
O projeto mais marcante:
"Humor de Perdição", "Negócio da China e "Aquele
Beijo"